O Aldeia Do MUNDO presta, nessa madrugada de sábado, abrindo o Carnaval, uma homenagem à cidade de Aracaju aqui em seu perfil.
O motivo foi muito admirar a marcha aqui destacada, incluída no repertório de uma das edições do programa.
O texto sobre a cidade é um fragmento de trabalho por mim organizado como consultor em projeto do Ministério do Turismo/Embratur, no ano de 2010.
"O sol está presente em boa parte do ano na orla de 30 km de praias da cidade, como as de Coroa do Meio, Artistas, Atalaia, e Aruana.
Aracaju, capital sergipana, nasceu na Colina de Santo Antônio, na zona norte, de onde se aprecia o encontro do Rio Sergipe com o Oceano Atlântico.
O seu nome significa cajueiro dos papagaios. Foi fundada em 1855, com a finalidade de ser a sede do governo, transferido da cidade de São Cristóvão, no interior. Sua localização à beira-mar forçou os senhores de engenho do Vale do Cotinguiba, maior região produtora de açúcar da província, a exigirem a mudança da sede para facilitar o transporte do produto.
Oficialmente, foi a segunda cidade planejada do Brasil. Sua construção foi um desafio à engenharia, face à sua localização. O desenho urbano foi elaborado por uma comissão de engenheiros, tendo como responsável Sebastião Basílio Pirro.
Naquela época, as cidades adaptavam-se às condições topográficas naturais, estabelecendo irregularidades no panorama urbano. No entanto, o engenheiro Pirro se contrapôs a essa irregularidade e Aracaju foi uma das primeiras cidades no Brasil a ter essa tendência geométrica.
O centro do poder político-administrativo, atual Praça Fausto Cardoso, foi o ponto de partida para o crescimento da cidade. As ruas foram arrumadas geometricamente, como um tabuleiro de xadrez, todas direcionadas às margens do rio Sergipe".
Da Praça Fausto Cardoso à Praça da Bandeira vou cantando a marcha-bolero (!?) e seguindo o Rasgadinho
Velha Marcha do Rasgadinho
Deílson Pessoa com participação de Monara
Eu preciso te encontrar, atenda o celular
Levante a sua mão em meio à multidão
Eu vou seguir o trio mas quero ter voce por perto.
Qual? Te sigo no olhar zoando até molhar
Quem tem o seu amor precisa se cuidar
Porque o carnaval é esse sentimento aberto
Acho que vi voce sorrir pra mim
Acho que não! Acho que me perdi...
A chuva cai, acho melhor assim
Mas se voce me mostrar aonde está
Pode deixar que eu vou até voce
Eu vou, eu vou pra te buscar.
Eu vou abrindo o meu caminho.
Eu vou, eu vou no Rasgadinho
Dançando frevo e marcha pela tradição
Eu vou pegar na sua mão
Eu vou
Mas se não me encontrar
Depois da brincadeira vai na praça da bandeira que eu estou a te esperar!
Estão abertas as votações para a Câmara de Fomento à Cultura Municipal (CFCM) e para o Conselho Municipal de Política Cultural (COMUC).
Os dois processos eleitorais são importantes para a sociedade civil como um todo. Há, no entanto, diferenças relacionadas à capacitação e inscrição dos eleitores durante o procedimento para a votação propriamente dito, diferenças de candidatos apresentados e a distribuição dessas candidaturas (no caso do COMUC, por regionais).
A Câmara é o órgão que avalia e direciona os recursos financeiros da Política Municipal de Fomento à Cultura aos projetos da cidade.
O COMUC é a instância consultiva e deliberativa vinculada à Secretaria Municipal de Cultura.
Sou candidato a membro da Câmara de Fomento à Cultura Municipal de Belo Horizonte, no setor de Música.
Deixo a seguir o endereço onde é possível se informar mais detidamente sobre o processo eleitoral da Câmara de Fomento - iniciado no dia 05 de fevereiro e que irá transcorrer até o dia 21 do mesmo mês:http://www.bhfazcultura.pbh.gov.br/cfm2017
Na sequência, apresento o vídeo por mim realizado, vídeo sugerido durante o processo de formalização da inscrição para que o candidato se apresente aos eleitores e ao público em geral:
Por fim, abaixo, a apresentação do meu perfil de candidato como aparece na página do Mapa Cultural BH, da prefeitura de Belo Horizonte, junto aos demais candidatos .
CANDIDATO: MAGNO CIRQUEIRA CÓRDOVA
NOME COMPLETO: Magno Cirqueira Córdova
PERFIL DO CANDIDATO NA PLATAFORMA MAPA CULTURAL BH: http://mapaculturalbh.pbh.gov.br/agente/1917/
CURRÍCULO RESUMIDO: Possui graduação em Licenciatura em História pela UFMG (1999) e mestrado em História pela UnB (2006). Tem experiência em pesquisa e educação na área de História, com ênfase em História do Brasil República, atuando principalmente com música popular brasileira, cultura brasileira, história da Educação no Brasil, ensino e aprendizagem em História. Foi coordenador dos cursos de pós-graduação Lato Sensu contratado pela Fundação Brasileira de Teatro junto à Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, onde também ministrou disciplina no curso de pós-graduação: Especialização em Educação Musical e, também nos cursos de graduação, as disciplinas Música Popular e História Cultural, Cultura Brasileira e Estética. Foi professor de História da Arte no Departamento de História da Universidade Estadual de Goiás, Campus Formosa; de Folclore Brasileiro I e Folclore Brasileiro II na Escola de Belas Artes, da UFRJ; de Perspectivas Históricas das Práticas Pedagógicas, no Departamento de Pedagogia da UERJ; e atuou como Tutor no curso de Extensão Educação Africanidades Brasil, na UnB. Parte dos resultados de sua pesquisa realizada em Brasília foi organizada e publicada no Dicionário da Música Brasileira do ICCA - Instituto Cultural Cravo Albin. Seu texto resultante da dissertação de mestrado foi recomendado ao Prêmio FUNARTE de Produção Crítica em Música, em 2012. Produziu inúmeros verbetes para o projeto SongBook da Música Brasileira, idealizado e organizado pelo músico Toninho Horta. Atualmente, produz e apresenta o programa semanal Aldeia do Mundo pela Rádio Inconfidência FM de Belo Horizonte, com retransmissões pela RTF - Rádio Terra da Fraternidade, da cidade do Porto, em Portugal.
(Capa do disco Baile das pulgas, de Marina Machado, lançado em 1999)
Em Minas, talvez mais do que em outros grotões, bagaceira é palavra que nos leva pro engenho, pro bagaço de cana, pra cachaça.
A relação é imediata e se desdobra: trabalho no engenho é mão escrava, mão escrava é tambor, tambor é candombe, coisa de ancestralidade conga por aqui instalada.
O século XX cristão dava seus suspiros finais quando surgiu entre montanhas um trabalho prenunciando em consolidação – reconsolidando, retraduzindo à sua maneira - o que havia de permanecer como código de herança musical inscrito em seu calcanhar, o do sopé da montanha, sua estrutura.
Ecoara, quase que simultaneamente, o cântico do grão-mestre contemporâneo de geração matriz motriz precedente, o artista de Mil Tons e seus tambores locais nunca dantes tão explicitados.
Entretanto, foi no surpreendente e vibrante registro de “Bagaceira” (e aqui me refiro ao registro de estúdio), do primeiro solo da jovem Marina Machado - aquele do Baile das pulgas - que esse “engenho novo” que é o industrial da cultura processou e se rendeu ao sumo de Tambolelês e Tizumbas dialogando com aquela que havia sido a sua geração mais esbranquiçada da década antecedente, associada ao rock. No entanto, deixando ilesas as estruturas de candombes, catupês e congos na voz de Dona Maria das Mercês, a mesma que no texto de Casa Aberta toca tambor.
“Bagaceira” é de Flávio Henrique em parceria com Chico Amaral, mestiçados e mestiçando em reciprocidade o que as gritantes diferenças sociais nesse nosso solo de nação impedem, transformam em nó. Se soa singelo, romântico e ingênuo, em “Bagaceira” a linha com o nó é reta e lisa. O nó não há. Desata e desacata a autoridade e o autoritarismo que transforma a diferença em penar, em destino apartado. Diria que nela a harmonia se dá em conflito, por isso aturde almas.
Não por acaso essa música entrou no programa piloto do Aldeia Do MUNDO. Ali, numa perspectiva comparativa mais ampla, “Bagaceira” se irmanou com “Candeeiro encantado”, de Lenine e P. C. Pinheiro, representantes de trabalhos tomados como dos mais representativos – a partir de seus estados de origem – dos caminhos da canção brasileira naquele momento
No caso de “Bagaceira”, a alegria toca tambor. E a bandeira é revolucionária.
Canta pra nós, Dona Mercês!
Canta, Marina!
Diga lá, Flávio!
(o áudio com o referido registro de "Bagaceira" pode ser conferido no arquivo do Programa Piloto Aldeia Do MUNDO, produzido pela Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte, e retransmitido pela RTF - a rádio lusófona, da cidade do Porto, em Portugal. Ela se encontra no primeiro bloco da edição, entre os tempo de 7:27 min e 11:40 min. É só clicar aqui: http://tfmedia.pt/podcast/aldeia-do-mundo-171017/ )
Companheiro de terra e ar
Companheiro de guerrear
Companheiro acorda
Tô falando desse berimbau
Quebre a sua televisão
Deixe o automóvel na garagem
Arranje um amor um só de cada vez
Leia algum grego todo dia
Vê se mora na Filosofia
Que o homem precisa é de Filosofia
Depois vem a arte e algum prazer
Que tenha cor pura do entardecer
Celebre a alegria
Tocando tambor
Em nome dos Deuses
O nome que for
Tá tudo ferrado
E eu tô com você
Levando a bandeira da Revolução
Na ribeira, na vila, naquela ladeira
Nas águas do mangue, nos pés da mangueira
Tá tudo o de sempre e eu quero saber
Quem já desistiu, quem vai comparecer
Surfaremos na superfície
Antenas ligadas pro que já se disse
Do osso ao foguete a marcar da bondade
Se oculta nas sendas da humanidade
(imagem extraída a partir de vídeo do Youtube com a apresentação da
"
Festa do Candombe no Quilombo do Açude [Serra do Cipó - MG] - [14/09/2013]")
acabo de efetivar minha inscrição como candidato na eleição dos membros representantes do setor cultural para composição da Câmara de Fomento à Cultura Municipal - CFCM, da cidade de Belo Horizonte, com atuação prevista para o biênio 2018-2019, no setor de Música.
Dentre os procedimentos exigidos e sugeridos no processo de inscrição, sugere-se que o candidato faça um breve vídeo apresentando sua candidatura. Deixo o vídeo por mim produzido para que vocês tomem conhecimento do mesmo.
Os eleitores são os profissionais ligados a cada setor, no caso de minha candidatura, o setor de Música.
Aos amigos músicos que forem participar do processo eleitoral, peço que considerem minha candidatura com muita responsabilidade. E àqueles amigos que não são do setor, mas que conheçam pessoas a ele associadas, que possam legitimar minha candidatura, sugerindo meu nome, seja através da disseminação do vídeo aqui apresentado, seja no "boca a boca", que é sempre um recurso muito eficaz.
Lembrar Gonzaga pelo 13 de dezembro só reforça a quebra da ideia de música sazonal atribuída precipitadamente ao seu trabalho.
Dessa data pra diante, a sanfona não deveria parar de tocar. Entrar natal adentro, encerrando um ciclo, dando boas-vindas ao próximo.
Basta dizer que o nome de Exu, cidade onde nasceu Gonzaga:
- de imediato, nos remete ao orixá banto, por mais improvável que seja essa vinculação de origem;
- especula-se que é a forma aportuguesada da designação dada a povos indígenas locais, os Ançu dos Kiriri;
- fala-se da possibilidade desse nome ser a tradução gráfica da palavra hebraica Ieshu, da língua dos marranos, descendentes de judeus que por lá se fixaram. Ieshu é Jesus.
Daí:
A neve, que aqui não há, dá lugar à fogueira e ao balão.
São João, o batista, como bom padrinho, vem visitar o afilhado, abençoá-lo.
Afinal, Baltazar, um dos três reis magos, não é tido por rei do Congo? Não foi o Reino do Congo constituído pelos bantos?
E, pra completar, dizem que na região da cidade onde nasceu o mestre era muito comum, à época de sua fundação, enxames de vespas, de abelhas, enxu (inxu), que teriam inspirado o nome do lugar.
Então, é marimbondo!
Viva Gonzaga!
Marimbondo (José Marcolino e Luiz Gonzaga)
Um marimbondo vindo peneirando a asa pra entrá em nossa casa,
chega chuva no sertão.
Nós matá a fome da muié e nosso fio,
dança coco e aça mio na fogueira de São João.
Setembro vem aí, tem safra de algodão.
Setembro vem aí, tem safra de algodão.(bis)
Pelo São João é tudo ao redor da fogueira,
uma morena faceira fala com toda atenção.
Ó seu Mané você vai ser meu compadre,
e eu vou ser sua comadre em louvor a São João.
São João dormiu, São João acordou.
Vamos ser compadres que São João mandou.
São João dormiu, São João acordou.
Vamos ser compadres que São João mandou.(bis)
(vídeo extraído do youtube: https://www.youtube.com/watch?v=PkP2HUrm_eg)
Ouvir o disco Equatorial, da Téti, que é de 79, me faz crer em vidas paralelas, simultâneas, esses delírios de outros planos.
É como se eu tivesse vida em Fortaleza ou outro canto (Aqui no Canto) do Ceará, durante aquele tempo.
Ao mesmo tempo em que crescia e adolescia nos clubes de esquinas santaterezinas e efigênias paradisíacas de montanhas e Jequitinhonhas em Minas.
Acontece disso se dá, também, por outras paragens: na Paraíba, então, da época..., virgem Maria! Nem me fale! De Jaguaribe à Ponta do Seixas, já fui até vizinho de Chico César em Catolé, dançando o Papangu.
O trem, tem hora, parece até que é tríplice! Vou me desdobrando lá e cá, aqui, ali, acolá (pra lembrar que há o Ímã).
Pois, tem sido o Equatorial o que me deixa a impressão de ser irmão de chão dos de lá.
(Abaixo, letra e vídeo com a música "Barco de cristal", de autoria de Rodger Rogério, Clodo Ferreira e Fausto Nilo, interpretada por Téti, presente no disco Equatorial).
Eu vi chegar do alto-mar um barco de cristal
Trazendo na bandeira a estrela matinal
A negra noite clareou
Na luz do teu olhar
E nós vamos sair, vamos encontrar
Gente pelas ruas num riso só
Cantado a alegria do barco de cristal
Mas foi um sonho, ainda é noite
Uma alucinação
Não nem luz d'teu olhar
Nem mesmo essa canção
(Vídeo extraído de https://www.youtube.com/watch?v=K_v4Tt-NpXU )
O Programa Aldeia Do MUNDO, transmitido pela Rádio Inconfidência FM de Belo Horizonte, presta sua homenagem ao compositor Luiz Melodia com a reprodução de um trecho de minha dissertação de mestrado, defendida em 2006 na UnB.
Foram mantidas as normas da ABNT, conforme texto original, com as notas indicadas ao final do fragmento do texto da canção em foco. Canção apresentada em vídeo anexo.
"O festival Abertura ocorreu nos dois primeiros meses de 1975, no Teatro Municipal de São Paulo, realizado pela Rede Globo de Televisão. Esse concurso pode ser considerado o primeiro acontecimento musical, posterior à fase áurea desses eventos, que mobilizou nacionalmente platéias de telespectadores em torno de um encontro dessa natureza. Do ponto de vista da crítica, de parte do público e de alguns artistas – principalmente aqueles vindos da época de ouro dos festivais -, este teve uma importância menor para a história da música popular brasileira(1). Entretanto, o que nos interessa é justamente tentar rever, pela apreciação de alguns episódios ocorridos naquele festival, sentidos possíveis que ultrapassam essa compreensão e esse seu significado comum. Chamando atenção, é claro, para o fato de que a almejada plausibilidade da avaliação que se segue talvez tenha se descortinado pelo distanciamento temporal do olhar relativamente ao acontecido, o que não a legitima como mais nem menos verdadeira.
Chama atenção naquele concurso justamente o que ele representou de re-configuração de códigos ligados à formação imaginária de alguns espaços consolidados do território nacional a partir do cancioneiro popular, em sua visibilidade e dizibilidade. Por mais que alguns processos musicais populares de alteração no imaginário coletivo aqui apontadas já viessem se esboçando desde princípios da década, através, inclusive, do surgimento de alguns desses artistas mencionados, é possível que tenha sido a partir desse festival que seu alcance foi dimensionado em escala de maior abrangência. E não há dúvida que isso se deveu, em grande parte, pela mediação televisiva. Tomemos como exemplo um referente externo ao eixo central deste trabalho – que, no entanto, é essencial para a compreensão de sentidos presentes nas representações hegemônicas de um topo significativo da nação, a partir da música popular – para que se vislumbre a dimensão do que está sendo dito.
Quando o compositor Luiz Melodia subiu ao palco do Abertura para cantar “Ébano”, uma das questões postas pela sua presença foi a da pertinência dos códigos que associavam tradicionalmente a favela ao samba. Melodia nasceu e foi criado no Morro de São Carlos, no Bairro de Estácio de Sá, do Rio de Janeiro. Como se sabe, foi no Estácio que surgiu a primeira Escola de Samba com essa designação, em fins da década de 1920: a “Deixa falar”. Um dos seus criadores foi o compositor Ismael Silva que, junto com Nilton Bastos, Heitor dos Prazeres, Bide e Armando Marçal, era componente do que ficou conhecido como “Os Bambas do Estácio”. A expressão “Bambambã”(2), para designar o sujeito influente, valente e de muita habilidade pra compor sambas, surge desse contexto. Além do mais, os sambas do Estácio, para alguns analistas(3), inauguram uma fase “moderna” do gênero, em contraposição ao samba amaxixado(4), até então em voga, representado por músicos e compositores como Donga, Pixinguinha, Sinhô, Caninha(5) e outros.
A canção “Ébano” trouxe elementos claramente herdados do Jazz para o palco do Municipal de São Paulo, em 1975. A recorrência de elementos musicais “exógenos” (jazz, reggae, salsa, blues) na trajetória artística de Luiz Melodia, convivendo simultaneamente com um repertório de choros e sambas-canções, o tornou alvo de críticas por parte de uma vertente guardiã das tradições do samba e do morro. A persistência da crítica motivou uma resposta musical irônica da parte do artista algum tempo depois: Melodia juntou-se ao parceiro Ricardo Augusto e, no início da década seguinte, gravou um samba marcado por uma rítmica funk e uma instrumentação jazzística onde se defendia das denúncias de estrangeirismo:
Disseram no jornal televisão/ Que eu não gosto mais de samba/ samba/ Jornal televisão está no ar/ Mas eu sou bamba/ bamba/ A lógica se mostra, deixa estar/ A luz do sol, a cor do mar não se fabrica/ Em minhas veias corre sangue a batucar..."(6)
(1) Escrevendo sobre Luiz Melodia, em 1976, o jornalista Tárik de Souza assim qualificou o festival: “No aguado festival ABERTURA, dois anos atrás (sic), Melodia que ficara restrito a algumas situações isoladas, apesar do sucesso inicial, reaparecia” (grifo meu). Cf. “Luiz Melodia”, in SOUZA, Tárik e ANDREATO, Elifas. Rostos e gostos da música popular brasileira. Porto Alegre: L & PM Editores Ltda., 1979. O texto sobre Melodia assinado por Tárik de Souza foi originalmente publicado no Jornal do Brasil do dia 18 de abril de 1976
(2) A verificação etimológica desses termos aponta para os primórdios das discussões acerca da noção de malandragem na história da música popular brasileira. Confira História do Samba, São Paulo/Rio de Janeiro: Editora Globo, 1997. Fascículo 4.
(3) Como, por exemplo, Sérgio Cabral e José Ramos Tinhorão. Cf. PEREIRA, Arley. “No Estácio, da Deixa Falar, o samba aprendeu a sambar”. In: História do Samba. Id., pp.70/4.
(4) O samba amaxixado, como o próprio adjetivo indica, é aquele ainda marcado pela predominância de elementos constitutivos do maxixe, em especial os relativos às células rítmicas e melódicas. José Ramos Tinhorão nos informa que o maxixe apareceu no Brasil por volta de 1870, como dança. Segundo ele, “foi a primeira grande contribuição das camadas populares do Rio de Janeiro à música do Brasil. Nascido da maneira livre de dançar os gêneros de música em voga na época – principalmente a polca, a schottisch e a mazurca –, o maxixe resultou do esforço dos músicos de choro em adaptar os ritmos das músicas à tendência aos volteios e requebros de corpo com que mestiços, negros e brancos do povo teimavam em complicar os passos das danças de salão”. Esta longa citação em nota apenas se justifica na medida em que confronta, ao contexto dos anos de 1970, uma evidência acerca da presença estrangeira na formação de um gênero coreográfico e musical brasileiro, cem anos antes dos episódios aqui investigados. Cf. TINHORÃO, José R. Pequena história da música popular. São Paulo:Círculo do Livro, s/d. Pp.59.
(5) Este não pode ser, no entanto, considerado um grupo homogêneo em suas feituras musicais. Ao contrário, discutia-se o confronto entre um samba de terreiro, ou de Partido Alto, de Pixinguinha e seus companheiros, em oposição ao samba urbano de Sinhô. Para as diferenças entre Sinhô e Pixinguinha, por exemplo, confira ALENCAR, Edigar de. Nosso Sinhô do samba. Rio de Janeiro, FUNARTE, 1981.
(6) “O sangue não nega”, de Luiz Melodia e Ricardo Augusto, foi lançada no LP Felino, de Luiz Melodia, em 1982.
Figura dentre as "maiores", uma diva do rádio nacional, para alguns Isaurinha antecede a Leila Diniz como uma mulher fora do seu tempo, "pioneira no comportamento ousado".
Isaurinha está no repertório do Programa Aldeia Do MUNDO que foi ao ar na terça-feira passada, dia 28/03, pela Rádio Inconfidência de Belo Horizonte.
Se você não teve a oportunidade de ouvir, o áudio já encontra-se disponível na página da emissora. Se você ouviu e quer ouvir novamente, também poderá fazê-lo.
É só clicar aqui: http://inconfidencia.mg.gov.br/modules/debaser/singlefile.php?id=12610
O material a seguir foi organizado no ano de 2010 para a EMBRATUR - Empresa Brasileira de Turismo, junto à FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Mantém a estrutura das informações encaminhadas para a base de dados daquelas instituições naquele ano e constitui-se de fragmento de projeto envolvendo o mapeamento de destinos e produtos turísticos brasileiros realizados por diversos profissionais consultores. No caso, minha intervenção se deu no plano da consultoria em turismo cultural, responsável que fui por este e outros destinos/produtos de natureza semelhante em todo o território nacional.
Sua divulgação aqui foi motivada pelo contexto da convocatória para o movimento Acampamento Terra Livre, visando unificar as lutas e fortalecer o Brasil indígena, a ser realizado de 24 a 28 de abril de 2017, em Brasília.
Voltado para o setor turístico, o texto não possui elementos críticos que possam situar e nem pretende ser porta-voz do movimento que motivou sua publicação. No entanto, acredito que sua divulgação poderá introduzir alguma questão relativa às relações entre o Estado brasileiro e os povos indígenas e estimular o possível leitor a buscar novos elementos que possam situá-lo ao longo dos processos de luta e no âmbito do momento presente que se desenrola.
Em última análise, terá cumprido sua função se atender àqueles que simplesmente desconhecem o seu conteúdo ou que buscam o que é seu objetivo primordial: orientar o público dentro das categorias do turismo cultural.
Cultura Indígena no Xingu
Considerado a maior e uma das mais famosas reservas do gênero no mundo, o Parque Indígena
do Xingu ocupa uma área de cerca de 27 mil km² no Centro-Oeste brasileiro. Abriga
5 mil habitantes, divididos em 15 etnias e 30 aldeias. Segundo a UNESCO, o
Parque Indígena do Xingu representa o mais rico mosaico linguístico das
Américas.
Localiza-se
no norte do estado do Mato Grosso, a 530 km da capital Cuiabá. O centro de visitantes Leonardo Villas Boas fica às margens do rio
Tuatuari, no município de Feliz Natal.
Em relação à melhor época para visitação ao Parque, é considerado ideal o período de junho a agosto, que é o período de seca, embora seja
possível nos outros meses do ano. Durante o período seco aparecem pequenas
praias às margens dos rios.
O Posto
Leonardo Villas Bôas é um dos pontos mais movimentados do Xingu. Além de
receber visitantes e pesquisadores durante o ano inteiro, a unidade presta
atendimento médico, odontológico e abastece toda a região do Alto Xingu. O posto
atende a mais de oito etnias como Kuikuros, Kalapalos, Iaualapiti, Kamaiurá,
Waurá e Aweti.
(Imagem extraída do youtube)
O Parque Indígena do Xingu (PIX) foi
criado em 1961, por iniciativa de sertanistas liderados pelos irmãos
Villas-Bôas - Cláudio, Orlando e
Leonardo. Foi resultado de vários anos de trabalho e luta
política dos irmãos Villas Boas, ao lado de personalidades como Marechal
Rondon, Darcy Ribeiro, Noel Nutels, Café Filho e muitos outros. Sua criação teve por objetivo garantir a sobrevivência,
melhores condições de vida e a posse da terra à população indígena da região.
Como conseqüência, preservar sua cultura, seus hábitos e sua religião. Segundo Orlando Villas Bôas, “o governo brasileiro, ao criar o parque,
procurou cumprir dois importantes objetivos: constituir uma reserva natural
para a fauna, flora e, sobretudo, fazer chegar diretamente às tribos sua ação
protetora”. Atualmente, o parque tem cerca de 5 mil
habitantes de 15 etnias diferentes, reunidos em 30 aldeias. Entre as etnias encontram-se: Waurá, Kayabi, Ikpeng, Yudja, Trumai,
Suiá, Matipu, Nahukwa, Kamaiurás, Yawalapitis, Mehinakos, Kalapalos, Aweti,
Kuikuro.
Em seus 2,6 milhões de hectares, a
paisagem exibe uma grande biodiversidade. É uma região de transição ecológica:
das savanas e florestas semideciduais mais secas, ao sul, para a floresta
ombrófila amazônica, ao norte. Apresenta cerrados, campos, florestas de várzea,
florestas de terra firme e florestas em Terras Pretas Arqueológicas. As matas que cobrem a região não apresentam a mesma exuberância das
típicas florestas hileianas, em virtude do menor porte de suas árvores. No
entanto, se enquadram perfeitamente no típico cenário amazônico geral, dada a
sua densidade, preponderância da coloração verde escura e, sobretudo, pela
continuidade da formação florestal que se estende indefinidamente para todos os
lados.
O
clima alterna uma estação chuvosa, de novembro a abril - quando os rios enchem
e o peixe escasseia -, e um período de seca nos meses restantes, época da tartaruga
tracajá e das grandes cerimônias inter-aldeias. Ao sul do parque estão os
formadores do rio Xingu, que compõe uma bacia drenada pelos rios Von den Stein,
Jatobá, Ronuro, Batovi, Kurisevo e Kuluene. Este último é o principal formador
do Xingu, quando se encontra com o Batovi-Ronuro.
Pode-se dividir o parque em três partes, de
acordo com os povos que lá habitam: o norte, conhecido como Baixo Xingu; na
região central, o chamado Médio Xingu; e ao sul, o Alto Xingu. Os povos do sul
são muito semelhantes culturalmente e são atendidos pelo Posto Indígena
Leonardo Villas Bôas. No Médio Xingu ficam os Trumai, os Ikpeng e os Kaiabi,
atendidos pelo Posto Pavuru. Ao norte estão os Suyá, Yudjá e Kaiabi, atendidos
pelo Posto Diauarum. Cada posto apóia a logística de projetos e atividades
desenvolvidas no Parque, como educação e saúde, havendo em todos eles uma UBS
(Unidade Básica de Saúde) onde trabalham agentes indígenas de saúde e
funcionários da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), conveniada com a
Funasa.
O Xingu passou por diversas mudanças que coincidem
com a história da questão indígena nas últimas décadas. No início, a filosofia
aplicada pelos Villas Bôas visava proteger o índio do contato com a cultura dos
grandes centros urbanos. Com a saída de Orlando e Cláudio Villas Bôas da
direção do Parque, em 1973, este pensamento começou a mudar. O administrador
seguinte, Olímpio Serra, começou a contratação dos primeiros funcionários
indígenas da Funai, dando o primeiro passo para uma maior representação das
comunidades. Em 1982, o Xingu teve seu primeiro diretor índio, o cacique
Megaron, da tribo Kaiapó. Desde então, outros começaram a se preparar e assumir
diversos cargos dentro do Parque. Atualmente, eles detêm a maioria dos postos
administrativos, protegendo suas próprias fronteiras e prestando assistência à
comunidade.
Das etnias que habitam o parque muitas
estão em áreas mais preservadas do contato com o homem branco, no Alto Xingu,
terra de Aritana e do Quarup. 53 tribos ainda vivem
isoladas no meio da selva. Outras estão
mais próximas do branco, na busca de ações que melhorem realmente a qualidade
de vida das comunidades. São os grupos instalados nas redondezas dos postos
Diauarum e Pavuru, no Baixo e Médio Xingu.
Abaixo, vídeo com a música "Mito - Metumji Iarén", dos índios Suyá, do Mato Grosso do Norte, adaptada pela cantora e pesquisadora Marlui Miranda. Em 1995, Marlui gravou o disco ihu - Todos os sons, onde fez adaptações de repertório musical indígena brasileiro.
(Vídeo extraído de https://www.youtube.com/watch?v=kG7adWydLWw )
Atrativos Turísticos Específicos
O Pólo Xingu apresenta em seu roteiro
turístico uma das mais importantes reservas indígenas brasileiras. O Parque
Indígena Xingu está localizado no coração do Brasil, ao norte de Mato Grosso, na
divisa com o Pará. É uma região de transição entre o cerrado e a Floresta Amazônica.
O parque espalha-se por 27 mil km². Nesse ambiente está sediado o Xingu Refúgio
Amazônico, localizado a uma hora de barco da aldeia das tribos Waurá e
Trumai. Foi implantado fora do perímetro
do Parque Nacional do Xingu exclusivamente para atender a demanda turística.
Isso porque não é permitido entrar no parque. O empreendimento tem como foco
principal mesclar a cultura nativa com a riqueza do meio ambiente, o que o
torna uma alternativa para a prática do turismo cultural (étnico) e ecológico.
O lugar é dotado de uma piscina natural e construído no formato de uma aldeia. Possui
restaurante com vistas para o rio Von den Steinen. Através dos seus
responsáveis, é estabelecido contato direto com o artesanato e a cultura dos
povos da região. Também é possível integrar a aldeia, participando das
atividades que fazem parte do dia-a-dia das tribos, como pesca de arco e
flecha, produção de artesanato cerâmico, palha e preparação do sal de aguapé.
Além destas vivências, o visitante assiste a apresentações de danças e ouve
histórias e lendas do povo Xingu. Dessa forma, presencia o cotidiano indígena,
troca experiências e interage com a cultura e culinária local.
O Xingu Refúgio Amazônico foi projetado
para gerar alternativas de conservação dos ecossistemas naturais da borda oeste
do Parque Nacional Indígena do Xingu. Essa região recria os ambientes e a influência
da cultura indígena do Alto Xingu, como a encontrada pelo pesquisador alemão Von
den Steinen, em 1884. O nome do pesquisador passou a ser o nome de um importante
afluente da Bacia do Rio Xingu graças ao reconhecimento da relevância dos seus
trabalhos para a fixação da cultura dos povos da região.
O projeto da pousada teve início em 1996, através
de estudos realizados por técnicos especializados em ecologia e ecoturismo. Foi
inaugurado em 2000, ocupando uma área de 41 mil hectares, incluindo uma fazenda
com plantações de soja e arroz. Está localizado junto à borda do Rio Von den
Stein e ao lado da borda oeste do Parque Nacional do Xingu. Transformada em
Reserva Particular do Patrimônio Natural, conta com uma área de 19 mil hectares
no município de Feliz Natal, na vertente sul da bacia Amazônica. Os
responsáveis pelo projeto contam com a colaboração das tribos Waurá e Trumai.
A Pousada possui 7 quartos, para até 20
pessoas, área de camping, restaurante, piscina em forma de deck sobre o rio,
fornecendo hospedagem com pensão completa e equipamentos inclusos em todos os
passeios. Dentre as atividades sugeridas aos visitantes estão:
percorrer a pé uma trilha com 2 mil
metros de extensão para conhecer uma praia de rio, ótima para banhos,
acompanhado por um indígena raizeiro (conhecedor da flora e fauna local).
Depois retornar à pousada de canoa ou barco;
visitar a fazenda da qual a pousada
faz parte, conhecendo o lado rural da floresta amazônica;
praticar canoagem entre os igarapés e
lagoas, podendo realizar pesca esportiva;
fazer passeios a cavalo percorrendo
10km de trilhas;
visitar um sistema de manejo
florestal, e saber o que é um levantamento de senso. Conhecer a parte da
propriedade que gera produção de madeira para venda, com selo verde, com
controle. Verificar onde são determinadas as árvores escolhidas como
reprodutoras, as que deverão ser cortadas e re-plantadas.
Na
primeira noite é realizada uma apresentação sobre a estrutura da pousada e
sobre a cultura indígena. Na manhã seguinte ocorre a visita à aldeia, com
permanência de um dia. Há a possibilidade de dormir uma noite na aldeia, em oca
equipada com redes para dormir. Podem ser realizados passeios percorrendo
trilhas com os índios, pescaria e focagem noturna de jacarés. Também à noite ocorre
a convivência no centro da aldeia, com fogueira, danças, pinturas corporais, relatos
de estórias e tradições orais da região.
sábado, 12 de novembro de 2016
TODA TERÇA, ÁS 22H
ACOMPANHE O PROGRAMA NO RÁDIO: Inconfidência FM de Belo Horizonte, 100,9
OU PELO SITE: http://inconfidencia.mg.gov.br/aldeiadomundo
OU
CURTA, COMENTE e PARTICIPE do perfil no facebook: www.facebook.com/programaaldeiadomundo SEJA BEM-VINDO(A) e uma ÓTIMA ESCUTA pra você!
a segunda edição do Programa #AldeiaDoMundo, levado ao ar na última terça-feira, dia 1º de novembro, encontra-se disponível na página da Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte.
Se você ouviu e gostaria de ouvir novamente; ou se você não teve a chance de ouvir no dia em que o programa foi ao ar e gostaria de conferi-lo, fique à vontade para acessar o arquivo através do endereço abaixo.